Julho 21, 2017

Após cirurgia, internação e frustração, Ana Marcela desabafa: “Foi difícil retornar”

Atleta de 25 anos conquista o bronze no Mundial de águas abertas, supera retirada do baço, virose grave, Olimpíada abaixo do esperado e mudança de técnico para levar oitava medalha na carreira

A atleta mais vitoriosa do Brasil na história dos Mundiais, Ana Marcela Cunha conquistou, neste domingo, seu oitavo pódio na história da competição. Ela ficou com o bronze nos 10km do Mundial de esportes aquáticos, que está sendo disputado na Hungria. Por toda dificuldade vivida no último ano, ela e seu técnico, Fernando Possenti, concordam que, se não foi a medalha mais importante (foi campeã duas vezes), foi a mais difícil da carreira:

– Foi difícil retornar após tudo que aconteceu, mas nada como uma medalha para fazer tudo valer a pena. Foi uma medalha difícil e saborosa – disse a atleta.

Ana Marcela na linha de chegada (Foto: Satiro Sodré/SSPRESS/CBDA)

Ana Marcela na linha de chegada (Foto: Satiro Sodré/SSPRESS/CBDA)

No início do ano passado, Ana teve uma virose séria e acabou internada por alguns dias. Na sequência, voltou e fez toda a preparação olímpica, mas acabou frustrada após a décima posição obtida na competição do Rio de Janeiro. Dias depois, fez a retirada do baço em uma cirurgia, ficou sem treinar por dois meses, e só começou a se dedicar para valer em janeiro deste ano. Há sete semanas, decidiu trocar de técnico, e voltou com Fernando Possenti, com quem viveu a melhor fase da carreira, entre 2013 e 2015.

– No nivel que a gente chega, a gente quer uma medalha sempre, porque a gente é capaz de fazer aquilo. A Olimpíada era minha oportunidade, mas talvez aquele dia não era meu dia, era o dia das outras. Sai chateada, não era o que eu queria. Mas a Poliana saiu com a medalha e isso foi muito importante para nosso esporte – disse, se referindo a compatriota que saiu com o bronze na ocasião.

Ana Marcela no pódio "inusitado" com quatro atletas (Foto: Agência AP)

Ana Marcela no pódio “inusitado” com quatro atletas (Foto: Agência AP)

Atleta da Unisanta, Ana Marcela decidiu retomar a parceria com Fernando Possenti, que a treinou quando era do Sesi-SP em 2013 e 2014. Foram dois meses de parceria, mas que a medalha deste domingo mostrou que será de muito sucesso:

– O atleta procura onde está faltando, aí cheguei a uma conclusão para mudar de técnico, conversei com meus pais e deu certo. Aí, se não desse agora resultado agora, com certeza daria no futuro – disse.

A história de Ana Marcela nos Mundiais é extensa. Foi campeã dos 25km em 2011 (Shangai, China) e 2015 (Kazan, Rússia), foi prata nos 10km (Barcelona, Espanha) em 2013 e por equipes em 2015, além de ter levado o bronze nos 5km em 2013 e nos 10km em 2015. No Mundial de águas abertas em 2010 (Roberval, Canadá), ainda levou o bronze nos 5km.

– Em fevereiro do ano passado, fiquei internada, as pessoas acharam que podia ser dengue, mas voltei, tudo normal. Fiz minha prepração olímpica. Logo depois dos Jogos, minha médica falou que era a hora de operar, até para parar de tomar remédio, essas coisas. Foi no momento que precisava ser feita a operação do baço – disse.

Ana Marcela Cunha; cirurgia; baço; maratona aquática (Foto: Reprodução / Instagram)

Ana Marcela Cunha; cirurgia; baço; maratona aquática (Foto: Reprodução / Instagram)

Possenti esteve na maioria destas conquistas ao lado de Ana Marcela. Após ver a pupila com o bronze no pódio, ele assumiu que não esperava a medalha:

– Tudo isso que aconteceu, a torna mais forte do que ela é, é superação. Eu acredito que ela passou uma borracha nessas questões e saiu fortalecida. Não esperava uma medalha, esperava ela competitiva, chegasse no bolo, mas uma medalha ainda não – disse.

A atleta volta para a água do Lago Balaton na quarta-feira para a disputa dos 5km. Na quinta-feira, estará no revezamento brasileiro e, na sexta-feira, fará os 25km.

O Campeonato Mundial de Esportes Aquáticos envolve seis modalidades: saltos ornamentais, natação, nado sincronizado, águas abertas, polo aquático e o salto de plataforma alta. A Hungria receberá 2000 atletas, e a delegação brasileira conta com 60 competidores. A natação começa só no dia 23.

Ana Marcela Cunha e seu “novo velho” técnico Fernando Possenti (Foto: Divulgação)

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